A Aurora das Blockchains

O Bitcoin foi apresentado em meados de 2008, porém começou a funcionar, de fato, em 2009. Só agora em 2018 estamos vivendo sua grande popularização, ainda por desdobramentos da ultravalorização da criptomoeda entre o fim de 2017 e o começo deste ano.

A história da blockchain é intrinsecamente ligada à história das criptomoedas. Estamos vivendo sua popularização — e é um fato atípico visto que uma tecnologia com quase uma década parece já ser obsoleta. Para contextualizar historicamente, em 2009 o iPhone 3GS foi lançado e Barack Obama iniciou seu primeiro mandato como presidente dos EUA, isto é: faz tempo.

Talvez a blockchain tenha vivido sob a sombra das criptomoedas durante todo esse tempo, compreensível porque é até mais fácil falar ou polemizar a respeito dessa nova proposta de economia e todo buzz (e ruído) que as criptomoedas geram do que se adentrar nos comos e porquês.

Eis que do ceticismo e da desconfiança o conceito da blockchain emerge e desperta interesse de várias indústrias: gigantes da tecnologia da informação, bancos, corretoras, agências de análise de riscos, casas de câmbio, cartórios, governos. E não é por mera curiosidade: um sistema que, por anos, se mostra à prova de ataques, sempre disponível e com uma ótima relação custo versus benefício não poderia ser ignorado.

Estamos vivendo a aurora da blockchain. Ou melhor dizendo: a aurora das blockchains, no plural, porque do surgimento de inúmeras criptomoedas, a reboque da popularização (e valorização) do Bitcoin, surgiram várias blockchains. E evoluíram, não no sentido necessariamente qualitativo, desdobramentos naturais da tecnologia com novas funcionalidades e propósitos.

O vale da desilusão e as blockchains

Pegando emprestado o termo do Gartner, atualmente as criptomoedas parecem estar no vale da desilusão: forte desvalorização (após uma hipervalorização), grande volatilidade, bolha das ICO, regulamentações governamentais, corretoras de criptomoedas sendo hackeadas, transações lentas, ineficiência no uso de energia elétrica, etc.

Além de todo ruído gerado quando conectam as criptomoedas com correntes, pirâmides, lavagens de dinheiro, utilização para comercialização de produtos ilícitos, descaminho, contrabando, etc. Curiosamente todas essas atividades acontecem todos os dias com as moedas fiduciárias, mas falar mal de criptomoedas está na moda e rende cliques.

É um grande desafio, talvez até não seja possível, nesse momento, desassociar as criptomoedas (e suas fraquezas noticiadas) da blockchain. Até mesmo porque as criptomoedas são totalmente dependentes de suas respectivas blockchains.

O fato é que blockchains são muito mais que meros livros-caixa. Possuem inúmeros usos e funcionalidades, são seguras e incorruptíveis (nove anos sem ataques bem sucedidos), disponíveis (nunca saem do ar), funcionam como mediadoras distribuídas (smart contracts), hospedam aplicações completas (DApps), podem armazenar dados, podem prover prova de existência, prova de identidade e, originalmente, podem realizar transações financeiras.

Mas como ter acesso a todos esses benefícios e funcionalidades sem, necessariamente, se tornar um investidor em criptomoedas? Como acessar a blockchain sem necessariamente ter uma carteira eletrônica? Esse é o papel das Blockchain Service Providers.

Blockchain Service Providers

No início da década de 1990 era praticamente impossível um usuário acessar diretamente à Internet: era necessária uma conexão com algum backbone, dispositivos de redes específicos, etc. Era absurdamente caro e tecnicamente complexo. Somente algumas universidades e grandes empresas tinham acesso à internet.

Para isso surgiram as Internet Service Providers (ISP), ou Provedoras de Acesso à Internet. Para o usuário bastava que o modem conectado a linha telefônica, tecnologia já difundida na época, discasse para uma ISP e tivesse acesso a tudo que a internet pudesse oferecer. Para alguns usuários, os early adopters, talvez a primeira ISP tenha sido uma BBS, para muitos o computador já estava totalmente imerso na internet, utilizando de todo potencial do protocolo TCP/IP.

Fazendo uma analogia às blockchains, ainda é muito complicado e na maioria das vezes desnecessário que o usuário tenha que conhecer e se apropriar de toda complexidade por trás do mundo das criptomoedas e de suas blockchains. O usuário pode se beneficiar de tudo que a blockchain oferece sem nunca ouvir falar dela, como muita gente hoje está na Internet e não tem a mínima ideia do que é um socket ou quais são as camadas que estão entre a física e a de aplicação no modelo TCP/IP.

Blockchain Service Providers

Qual o intuito de tentar evangelizar os usuários com informações técnicas sobre blockchain? Informações encadeadas, tamanho do bloco, proof of work, gas price, nonces, consenso, dentre outros inúmeros termos que permeiam a fala dos evangelistas.

Os usuários devem ser apresentados diretamente à proposta de valor dos serviços e benefícios oferecidos. Esse deve ser o papel das Blockchain Service Providers (ou BSP): equipar-se de toda a estrutura financeira, lógica e tecnológica para conectar os usuários através de uma tecnologia já difundida (Internet) às funcionalidades da blockchain. Fazê-lo enxergar e tirar proveito da oferta de valor dos serviços ofertados sem ter contato necessariamente com criptomoedas, carteiras eletrônicas e todas as terminologias oriundas dessa nova indústria. O usuário não precisa ser um investidor ousado para ter acesso aos benefícios da blockchain.

A difusão dos meandros da blockchain parece ser ars gratia artis (arte pela arte), um discurso que tem por fim ele mesmo baseado na estética e no vislumbre da própria tecnologia, se desconectando do que realmente importa: quem vai usar e pra quê.

Futuro

Da mesma maneira que os usuários já estão na internet, sem precisar de um evento para conectá-los, o mesmo acontecerá — e já acontece — com os usuários de blockchain. Os serviços de internet serão mesclados aos de blockchain, quando a mesma será encapsulada e transformada em um protocolo complementar, notoriamente seguro, amplamente difundido e utilizado chegando, dessa forma, nos próximos cinco anos, ao platô da produtividade.

Textos registrado na blockchain do Ethereum com o prexis.io
Também disponível via IPFS

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